Por Bigorna de Bauru
- Estou falida.
- Como assim?
- A crise internacional me atingiu em cheio. Estou falida como os bancos de investimentos norte-americanos. Na verdade, pior. Lá, eles ainda têm o governo que injeta dólares para salvar a pátria. Aqui, nem isso eu tenho.
- Mas o que aconteceu?
- Simples: abusei da lição básica de finanças. Gastei muito mais do que eu ganho.
- Isso eu já imaginava. Você precisa parar de comprar os vestidinhos Prada e os seus sapatinhos Salvatore Ferragano. Siga o exemplo do seu maridão e seja mais ponderada nos gastos.
- Sim, mas o maridão nasceu pronto. É lindo natural. Eu é que tenho de me vestir de Prada...Entende?
- Entendo, mas não concordo com essa tese. E entendo também que seu cartão de crédito deve ter explodido.
- Não sei como a conta não explodiu nos Correios. Pensariam que seria uma bomba. O que faço agora?
Pesquisas revelam que dez em cada dez brasileiros das classes C e B já se endividaram pelo menos uma vez por mau uso do cartão de crédito. A moeda de plástico é mortal. Transformou-se em uma arma dos tempos modernos e pode matar qualquer um a qualquer momento. É uma navalha que dilacera o orçamento familiar. Quantas navalhas como essa você tem dentro de sua carteira? As amigas não são exceção à regra. Pelo contrário. Tentam de toda forma administrar suas finanças a duras penas. Como trata-se hoje de uma tarefa difícil, surgiu uma nova profissão no mercado: a dos conselheiros de plantão. Eles dizem obviedades, aconselham obviedades e escrevem obviedades. Mas tudo com desenvoltura. A maioria gosta. Consome. A ciência ainda não entende bem o porquê, na medida em que se gasta mais dinheiro para consumir esses livrinhos ofertados de técnicas milagrosas para administrar o tempo, ganhar mais dinheiro e reduzir as gorduras extras do corpo. Eles estão ricos. Já, nós...
- A primeira coisa a fazer é pagar a conta. A segunda, parar de gastar.
- E como vou fazer isso?
- Para começar há série de livros que podem ajudá-la nesse momento de agonia. Por acaso, tenho um livro aqui...de um consultor que fala sobre os perfis das mulheres quando o assunto é dinheiro.
- E que perfil eu sou?...Não fale. Deixe-me adivinhar: 'a falida'.
- Passou perto: provavelmente você é a ‘batalhadora’, aquela que dá uma de David Copperfield e faz desaparecer o salário antes do final do mês.
- Puxa. Você me deu uma idéia. Se eu morrer, a conta desaparece...
- Está maluca? Quer morrer por que você torrou o seu salário em vestidinhos, sapatinhos e bolsas? Bom, voltando... Creio que um passo importante é você mudar os seus valores.
- Como assim?
Com o livrinho à mão, a amiga começou a rezar o terço dela para tentar convencer a amiga de anos o que, na verdade, ela já havia passado. Mas nunca revelou. Nâo porque não confiasse na amiga. Gostava da imagem de uma mulher de bom senso, moderada e experiente. Mas a economia mundial e globalizada tem muito a agradecer às mulheres. Afinal, como disse um dia o magnata Onassis: “o que seria de todo o dinheiro do mundo se não fossem as mulheres?"
- Veja eu, por exemplo. Não compro nenhuma roupa que custe mais do que uma geladeira.
- Por que uma geladeira e não um ferro de passar roupa ou uma televisão?
- Bom, o ferro é muito barato. Também não precisamos exagerar! Já a TV é muito cara. Você já viu quanto custa uma televisão de última geração de 42 polegadas? Uma fortuna, minha amiga. Pode apostar. Portanto, tenha como parâmetro a geladeira.
- Geladeira, ferro ou televisão, o fato é que estou linda, maravilhosa, feliz. Mas, falida. A vida é realmente cheia de contradições, não é mesmo?
- Na verdade, você precisa dar um jeito de pagar o cartão e mudar de estilo de vida. Coma mais chocolate, faça mais exercícios físicos e deixe de fazer compras... Ou...
- Ou arrume um marido rico!
- Mas você já é casada. E que eu saiba, feliz.
- Sim, mas veja: o maridão passaria a ser o meu amante. Ele ficaria com a minha melhor parte. E eu? Livro-me da pior parte dele...
25 setembro 2008
Assinar:
Postagens (Atom)